Texto: Marcelinha
Fotografia: Vine
No sábado (9), a avenida Tiradentes no bairro do Bom Retiro em São Paulo, recebeu uma das bandas de maior inventividade e importância atual na música brasileira, com participações de BNegão e Rico Dalassam, para cantar, dançar e bater cabeça ao som de seus hinos contra diferenças de classe e raça, sobre o amor, sobre respeito, incluindo faixas do álbum recém lançado “O Futuro Não Demora”. Tradicionais rodas só de gente preta e só de mulheres sempre são abertas e incentivadas pelos próprios membros do grupo. Algumas dessas rodas foram desrespeitadas pelo público masculino e branco, segundo algumas pessoas presentes. A banda tem como sua principal narrativa: a afirmação da negritude, a autoestima negra e o cotidiano da classe baixa baiana. O público negro se identifica e se reconhece nos sons e na postura, no entanto, podíamos ver uma grande parte do público branco do bloco cantando refrões  sobre negritude com o punho serrado apontado pro céu, uma autoestima branca. Isso se pela a grande visibilidade e a popularização da musicalidade do sistema de som baiano nos últimos anos, ou se trata de mais caso de tentativa de apropriação colonizadora branca? Em todo caso, a existência do grupo liderado pelo músico Russo Passapusso, foi essencialmente importante nos últimos anos e também no momento de hoje, merece todo o reconhecimento e sucesso que vem conquistando e ainda mais. Que o acesso e o lugar seguro dos pretos e pretas seja mantido e protegido. E aos brancos: RESPEITA!

 

 

 

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