Por: Raquel M Galvão

Uma pesquisa sobre cultura de matriz africana e candomblé em Campinas e região. A dança afro como base de inspiração e investigação. A memória e os movimentos culturais do seu local de origem, Caravelas-BA, como matéria prima para uma vivência cultural e artística na Vila Padre Manoel da Nóbrega, região onde está localizado o Instituto Baobá de Cultura e Arte (Ibaô). O projeto Dança das Águas no Ilê, residência artística e cultural da dançarina baiana Bianca Santana será finalizado no próximo sábado (4 de agosto), às 19 horas no Ibaô, e foi iniciado no dia 4 de junho, especialmente com pesquisa local e concepção artística da vivência, visita a terreiros e atividades de dança afro para crianças e mulheres.

Concebido por Bianca Santana e com a co-produção da curadora Andrea Mendes, o projeto prevê uma apresentação coletiva com as alunas que participaram das oficinas abertas e gratuitas que aconteceram no Ibaô durante o mês de julho. “Antes de realizar a residência, já sabia um pouco da realidade dos movimentos culturais de resistência afro em Campinas. A experiência só veio comprovar o quão rica é a cultura de matriz africana, que mesmo com as adversidades, violências sofridas e preconceitos, se fundamenta no acolhimento e no tempo de amadurecimento de cada indivíduo. E a prática da dança faz parte desse movimento eterno de reconstrução do povo negro”, reflete Bianca Santana.

Nos dois meses que esteve em Campinas, a artista buscou referências para a criação da apresentação Dança das Águas no Ilê em visitas a terreiros como a Casa do Arco-Íris, liderada pela Mãe Dango, e a Comunidade da Tradição e Culto Afro Ilesin Ogun Lakaiye Osinmole / Instituto Cultural Baba Toloji, tendo também acompanhado festejos para orixás no Ilè Asé Obá Adákédájó Omí Aladò, guiados pelo Babalorisá Moacyr de Xangô.

Com a pesquisa aliada à educação e à cultura na região, a dançarina realizou oficinas de dança afro para crianças na Escola João Vialta, localizada no Jardim Metonópolis em Campinas, e oficinas abertas no Museu da Imigração de Santa Bárbara D’oeste. “Todas as experiências que tive durante a residência artística me fizeram perceber o quanto a dança compõe a nossa história e como ela fortalece a identidade afro, a auto-estima das mulheres e a luta anti-racista no Brasil”, afirma a artista que dirige o espetáculo final, no qual presta a sua homenagem para as orixás das águas, tão presentes nas manifestações culturais de matriz africana. 

No encerramento do projeto, acontecerá, além da apresentação coletiva e um solo de Bianca Santana, a exposição Fronteiras com os Orixás – Só se encontra com Deus nos extremos do artista baiano André Mustafá e a projeção do filme A Mulher da Casa do Arco-Íris de Gilberto Alexandre Sobrinho, que relata poeticamente a história da Mãe Dango.

O projeto Dança das Águas no Ilê conta com o apoio do Estado da Bahia e o retorno da dançarina será para a cidade de Caravelas, onde reside atualmente, e dará continuidade à pesquisa e criação em cultura afro-brasileira para a promoção da cidadania de crianças, jovens e mulheres.

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