O coletivo Kheniisha é uma produtora criativa, artistas dos extremos de São Paulo que a partir de recortes de suas vidas, criaram a residência artística como um evento rotatório.

A ideia de um ateliê aberto de dois dias para artistas trocarem suas ideias e criarem em um espaço compartilhado.

O que impulsionou esse projeto foi o fato de estar em uma capital e não ter um momento de troca com artistas que não são tão conhecidos frente a algumas cenas da arte.

Dentro desse período de dois dias, Kheniisha, formado por Heloisa Hariadne, Raphael Fonseca, Muryllo Hill, Larissa Cardoso, Mariana Machado propôs que fotógrafos, pintores, artistas audiovisuais, performers, além de se conhecerem, trocassem produções durante esse tempo para além de dois dias, ser um processo para a vida de cada um.

Durante o ateliê aberto, artistas como Jahspora, e Crash Party, tocaram a partir de um certo horário, colocando isso por saber que elas também compartilham de uma energia que, colocada naquele espaço, faria sentido e sustentaria a vontade de produzir.

Chamando principalmente artistas que não estão no centro de São Paulo ou nas redes sociais, entendemos a importância das redes sociais para mostrar nossas produções, mas sabendo que nada acaba com uma foto ou um like/comentário. Tudo pode se ampliar para alcançar cada vez mais pessoas.

 “Fotógrafa e curadora da Feira Onilé. A fotografia é um meio de manifestar o que sente, de falar sobre as coisas que vê e sobre as quais está atenta, imprimindo um olhar sensível e forte no trabalho que propõe. Observa tudo o que a rodeia, usa a sua sensibilidade jovem com as mãos de alguém que já sabe há tempos o que está fazendo, e trabalha com a delicadeza e a força dos corpos pretos, assim como o caos e a beleza da cidade, por meio dos seus registros.”

Viviane Lira

Heloisa Hariadne

“A semântica do meu trabalho se baseia na borboleta como arquétipo principal tem como cerne do meu trabalho a fragilidade do ser humano e seus conflitos internos a começar pelas minhas vivências como indivíduo da etnia afro usando a borboleta como signo da fragilidade, pesquisa essa que veio a partir do homicídio de meu pai, tive pouco contato com ele, sua morte gerou uma inquietação assim começando a pauta sobre transitoriedade e vulnerabilidades. Tento traduzir a ação do tempo e toda a pressão da vida sobre uma poética visual onde as pessoas são feitas de vidro e as borboletas reforçam a ideia de uma vida efêmera e frágil, onde a alma está sempre exposta a tudo que é externo ao corpo.”

“Nasci no Grajaú, extremo sul da zona sul de São Paulo. Faço arte desde que me entendo por gente. Nasci em uma família de artesãos, malucos de BR e cresci boa parte da minha vida com uma avó professora. Graças a eles sempre fui estimulada a criar e pensar sobre todas as coisas, de um modo libertário. Estudei cinema de animação após ter ganho uma bolsa de estudos na Belas Artes ,mas dentro desse estudo do cinema eu me identifiquei mais com as matérias em que eu podia botar as mãos na massa, sentir texturas, cheiros. Eu sou uma pessoa muito sensorial. Também tenho que dizer que o mundo acadêmico te mostra apenas 30% do quão longe você pode ir. Então, fazendo o que faço, seja lá o que for, pinturas, vídeos, animações e tudo o que meu trabalho integra, eu tô falando sobre você, sobre eu, sobre a terra, sobre a física, a biologia, filosofia, sociologia, o tempo. Estou registrando nosso tempo, participando das lutas de nosso tempo, amadurecendo idéias novas e concretizando idéias antigas. Entendo tudo como uma rede grande que tudo se conecta e se expande.”

GRIÔ
Barbara Marques

O rolê contou também com performances de Domênica Dias e Vinicius Félix, Abraão dos Santos, Ícaro Pio e Lara Julia, entre outras ações de vários artistas que ocuparam a HOA em fevereiro.

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