Acredito que toda mulher preta, em sua particular forma de ser mulher, porta uma energia feminina e preta que é única e super poderosa. Sendo assim, em todas as suas manifestações essa energia estará presente como uma “substância” essencial; é a partir dessa energia que se caracteriza a mulher afrikana.

O Punanny Sound System é uma plataforma que reconhece essa energia preta e feminina na sonoridade, na estética, na sexualidade e na identidade da mulher preta e reúne elementos materiais, visuais, sonoros e sensoriais para celebrá-la.

À convite do Instituto Procomum, o Punanny Sound System passou a ser pensado a partir de um território específico, na Bacia do Mercado, como uma das atividades desenvolvidas dentro do projeto da Colaboradora. A Bacia do Mercado é uma região peculiar de Santos. Distante da zona da orla da praia e perto do Porto, a Bacia desafiando o efeito do tempo ao carregar tantos símbolos da época imperial brasileira. Ao posicionar o Punanny Sound System nesse território, submete-se a região da Bacia do Mercado à um processo de cura, cultuando a energia preta e feminina por meio da observação e materialização da estética, da identidade, da sexualidade e da sonoridade das mulheres pretas locais. Os elementos e as características que compõem o abstrato preto e feminino do território foram transformados em ilustrações.

Como um encerramento desse processo, no dia 09 de dezembro (domingo), ocorrerá das 15h às 20h, no Instituto Procomum o primeiro evento Punanny Sound System na Rua Sete de Setembro, n 52 – Vila Nova, em Santos. A ideia de propor um evento de encerramento é, além de expor minhas ilustrações, convidar outras artistas pretas para dedicar suas linguagens artísticas à energia preta e feminina local. Quero celebrar e agradecer essa energia e assim, propor um ato de cura no território.

Artistas convidadas + atividades propostas:

Afreekassia é uma artista preta que caminha por diferentes linguagens artísticas para estabelecer conexões na diáspora. Por meio do Punanny Sound System, ela externaliza seus anseios como uma jovem africana em diáspora, imergindo no calor e no frescor do feminino. Para o evento, ela irá propor uma cura ao território com a exposição das ilustrações que ela vem desenvolvendo durante os processos da #colaboradora e com sua pesquisa sonora.

Mariana Rodrigues é artista visual e designer. Sua produção artística é totalmente abstrata e intuitiva, estando ligada a sua espiritualidade em diferentes práticas, terapias de cura e expansão da consciência. Ela irá propor um livepainting em um tecido em tamanho grande (3m X 3m).

Thayná Prado,fotógrafa, artista visual e social media. Busca através da arte e do olhar direcionados ao público negro, retratar aprendizados, processos, construções pessoais e sociais. Irá propor a  AFROteoria das cores, que tem como objetivo relacionar sensações, histórias e ancestralidades pessoais e coletivas com a estética das cores e suas representações no dia-a-dia de mulheres negras. Através da fotografia e do uso das luzes e cores, o projeto visa construir novas concepções de auto-estima e auto-conhecimento para mulheres negras e, proporcionar através de suas imagens enquanto protagonistas do projeto, a nossa própria teoria e versão aos significados das cores propostas.

Ana Be irá propor uma intervenção sonora que é artística, poética, transcendental e ancestral. O Nia é uma construção de muita gente que deságua na voz e no momento do “play”, mas tem muito do que vem antes e durante, é um encontro e uma ideia trocada. A potência e materialização da história de tantos corpos pretos em diáspora que compõem a mensagem e o canal em áudio. Nia é propósito, palavra jogada ao mundo, conselho e manifesto de mulher preta.

Vitória Nagô é intérprete, coreógrafa, personal dancer, arte educadora e pesquisadora de danças da diáspora preta como o Dancehall e o Hip-Hop Freestyle. É uma das criadoras do grupo “Força Queens”, um grupo feminino que tem como objetivo engrandecer e quebrar tabus na cena do Dancehall. Ela irá propor uma aula aberta de Dancehall Queen Style de aproximadamente 1h de duração com o propósito de empoderar mulheres através da dança.

 

Você pode ler a pesquisa da Cassia no Medium, ouvir a selecta no Soundcloud e seguir ela no insta.