Dia 25 de julho foi comemorado o dia internacional da mulher negra latino-americana e caribenha, também lembrado e comemorado como Dia Nacional de Tereza Benguela, líder da resistência quilombola no Brasil.

Texto: Amanda Porto

Fotos: Júlio César

A concentração da marcha esse ano aconteceu na Praça Roosevelt na região central de São Paulo às 17h, embaladas pelo Ilú Oba De Min as mulheres seguiram em direção ao Largo do Paissandu onde o ato seria finalizado com uma roda de jongo, além dos pontos cantados e tocados pelas mulheres do Ilú, palavras de ordem, danças e muita força refletia muito sobre como seria aquele ato.

As mortes de Cláudia Ferreira, Luana Barbosa e Marielle Franco foram lembradas durante a marcha denunciando um Estado genocida e o machismo, tendo em vista que o feminicidio contra mulheres negras cresceu 15% nos últimos 10 anos enquanto o de mulheres não negras diminuiu 8%, segundo o Atlas da Violência 2018 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A marcha que acontece há três anos, esse ano tem como temática “Por nós, por todas nós e pelo Bem Viver” fazendo referência a resistência das mulheres negras, indígenas e trans pelo direito à vida, as questões levantadas entre tantas desse ano foi também a presença de mulheres negras no centro da política no Brasil e não sendo objeto de políticas publicas como tem acontecido em uma tentativa de melhoria.

Lado a lado mulheres negras e indígenas mostraram força, resistência, amor e sobretudo união durante a marcha, a velha-guarda do movimento negro no Brasil também somou mais uma vez na luta, representantes do MNU que completou 40 anos em julho confirmaram presença durante o evento, Luka em sua fala foi saudosista a Lélia Gonzáles, mulher negra integrante do MNU, intelectual e antropóloga brasileira sobre raça e classe, ainda ressaltou a emergência da legalização do aborto para que mulheres parem de morrer em procedimentos clandestinos.

Em diversos momentos durante a marcha foram ditas frases de ordem que soavam como uma despedida a passos curtos de um passado e presente sem visibilidade e de negligencia com a população negra e indígena que nos faz refletir que sem dúvidas quando uma mulher negra avança, ninguém fica pra trás.

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