Por: Vine Ferreira

Sexta-feira passada (11), estivemos no lançamento do primeiro álbum de estúdio da Mc DELLACROIX, disponibilizado online no dia anterior. O rolê aconteceu no Aparelha Luzia, quilombo urbano, espaço de resistência preta LGBTQI+ no centro de São Paulo.

A rapper falou com a gente sobre o evento e a construção do álbum até aqui:

Foi a primeira vez que eu coordenei algo tão grande que estava por vir. Desde o lançamento do álbum até o show no Aparelha Luzia foram muitas noites sem dormir. Eu estava recentemente montando uma nova equipe que agora podem me auxiliar com mais afinco nas minhas ideias e loucuras. Foi um trabalho muito árduo que me fez entender mais sobre coletivo. Toda a equipe estava empenhada em entregar um bom trabalho, desde a iluminação, o som e os técnicos, e toda a equipe que me acompanha, manager, assistente, dir. de arte, estávamos também em missão da nossa função ali como uma só energia provocando movimento.

Estou trabalhando com o SKY há pouco mais de 1 ano, e de lá para cá pensamos em nosso single “PRETA”, que levamos um pouco mais de 3 meses pra produzir. Nossa relação foi tão orgânica e sincera que nossas produções eram sempre imensos processos criativos, de pura imersão sensorial.

Decidimos em 2018 começar a imergir em #DLCRX, que hoje é meu primeiro álbum de estúdio e veio sendo construído ao longo do ano passado todo e experimentado em shows, festas, festivais…

No começo eu não tinha muito a ideia do que eu queria fazer, nem como esse álbum poderia soar, fui descobrindo ao longo do ano como eu poderia imergir nesse processo e trazer o melhor de mim, da minha vida e das minhas experiências de vida, espiritual e sensorial.

O projeto foi alterado inúmeras vezes, transformado, morto, ressuscitado… estávamos não totalmente, mas também à mercê de onde essa organicidade no nosso processo criativo, poderia levar a gente.

Apostamos alto porque já havíamos aprendido como poderíamos executá-lo, porém não sabíamos qual seria o produto final de toda essa loucura.

[A capa do álbum] foi uma parceria com duas pessoas trans do mercado visual em SP, Bernoch que é Fotógrafo e a Lucy que é modelo e artista-visual-digital.

Eles tinham esse projeto de elevar as corpas T em evidência nas fotografias e satirizar a censura que os nossos corpos recebem!

Na imagem aparece: Lucy nua, aplicando-se perlutan, um tipo de hormônio feminino que as pessoas trans utilizam para realizarem sua reposição hormonal, a famosa “transição”.

Queríamos mostrar uma realidade que muitas vezes nos mata, o anseio pela transformação dos nossos corpos para a aceitação própria e/ou pela aceitação da sociedade. A constante mutação de nossos corpos que geram o medo e repulsas nas ruas.

A capacidade de transgredir a forma humana e propagar a liberdade das corpas para cura das disforias.

 

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